
Quando se fala em manta térmica, é comum que a primeira característica observada seja a temperatura que o equipamento consegue atingir. Mas, na prática profissional, tão importante quanto produzir calor é poder controlá-lo e adequá-lo à pessoa que está recebendo o atendimento.
Essa é uma das características importantes da hipertermoterapia: a utilização do calor de forma controlada, considerando não apenas o equipamento, mas também a intensidade, o tempo de exposição, a área corporal aquecida e as condições individuais no momento da aplicação.
Afinal, pessoas diferentes podem perceber e responder ao calor de maneiras diferentes — e até uma mesma pessoa pode apresentar sensibilidade térmica distinta de uma sessão para outra.
De forma geral, a hipertermoterapia utiliza a exposição controlada ao calor para promover o aquecimento corporal ou de determinadas regiões do corpo.
Existem diferentes formas de exposição térmica, como ambientes aquecidos, banhos quentes, saunas e equipamentos destinados à aplicação de calor, entre eles as mantas térmicas.
Esses métodos não são necessariamente equivalentes. Temperatura, duração, área corporal envolvida, forma de transferência do calor e possibilidade de controle variam conforme o recurso utilizado.
Em uma aplicação profissional, portanto, não se trata simplesmente de aquecer o máximo possível, mas de utilizar o calor de maneira adequada às características e ao objetivo daquele atendimento.
A percepção térmica não é idêntica para todas as pessoas. Fatores individuais e circunstanciais podem modificar a forma como alguém percebe o aquecimento e seu conforto durante uma sessão.
Uma pessoa pode estar mais sensível ao calor em determinado dia, apresentar maior tensão corporal, estar cansada ou simplesmente preferir uma intensidade térmica diferente daquela utilizada em uma sessão anterior.
Também existem situações fisiológicas que merecem atenção. Durante o período menstrual, por exemplo, algumas mulheres podem apresentar alterações na percepção térmica, desconfortos ou maior sensibilidade. Isso não significa estabelecer uma regra única para todas, mas reforça a importância de o profissional avaliar como aquela pessoa se encontra naquele momento.
Por isso, temperatura e tempo não devem ser tratados como parâmetros universais aplicáveis indistintamente a todos os clientes.
A capacidade máxima de aquecimento de uma manta é uma característica técnica do equipamento. Isso não significa que a temperatura máxima deva ser utilizada em todos os atendimentos.
Na prática, a temperatura adequada é aquela compatível com a finalidade da aplicação, com as orientações de utilização do equipamento e, principalmente, com o conforto e as condições individuais da pessoa atendida.
Ter possibilidade de ajuste permite ao profissional trabalhar com diferentes níveis de aquecimento em vez de transformar a hipertermoterapia em uma aplicação padronizada.
Controle térmico, portanto, é diferente de simplesmente atingir altas temperaturas.
Em uma aplicação profissional, controlar o calor não significa apenas poder escolher entre intensidades genéricas de aquecimento. Quanto maior a possibilidade de ajuste da temperatura, maior é a capacidade do profissional de adequar a experiência térmica às características e à percepção de conforto de cada pessoa.
Isso é particularmente importante porque a resposta ao calor não é fixa. Uma temperatura considerada confortável em determinada sessão pode não proporcionar a mesma sensação em outro dia ou em outra pessoa.
Por esse motivo, a possibilidade de realizar ajustes graduais e precisos de temperatura permite uma condução mais individualizada da sessão. O profissional pode iniciar o aquecimento dentro dos parâmetros adequados e ajustar a temperatura conforme a finalidade da aplicação, a resposta percebida e o conforto da pessoa atendida.
Esse conceito é diferente de simplesmente trabalhar com níveis predefinidos, como baixo, médio ou alto. Quando o equipamento permite selecionar uma temperatura específica, o profissional dispõe de uma referência objetiva e reproduzível para acompanhar a aplicação.
Imagine, por exemplo, que uma pessoa apresente boa adaptação a determinada temperatura durante uma sessão. Em um atendimento posterior, o profissional pode utilizar essa informação como referência, sempre reavaliando as condições e a percepção térmica naquele novo momento.
Assim, na hipertermoterapia profissional, precisão e possibilidade de ajuste podem ser tão importantes quanto a capacidade máxima de aquecimento do equipamento.
Uma das respostas naturais do organismo ao aumento da temperatura é a alteração do fluxo sanguíneo na pele.
Durante o aquecimento corporal ocorre vasodilatação cutânea, aumentando o fluxo sanguíneo próximo à superfície da pele. Esse mecanismo participa da termorregulação e auxilia o organismo na transferência de calor.
A literatura científica sobre fisiologia térmica demonstra que essas alterações circulatórias fazem parte da resposta normal do organismo à exposição ao calor.
A sudorese é outro importante mecanismo de termorregulação.
Quando a temperatura corporal aumenta, as glândulas sudoríparas produzem suor. A evaporação desse suor na superfície da pele contribui para dissipar calor e controlar a temperatura corporal.
Embora pequenas quantidades de determinadas substâncias possam estar presentes no suor, sua principal função fisiológica é termorregular o organismo. Fígado e rins exercem papel central nos processos de metabolização e eliminação de substâncias do corpo.
Por isso, a transpiração observada durante a hipertermoterapia deve ser compreendida principalmente como uma resposta fisiológica ao aquecimento.
A exposição ao calor é frequentemente associada a conforto e relaxamento corporal.
O aquecimento da pele, as alterações circulatórias decorrentes da termorregulação e a própria experiência térmica podem contribuir para essa sensação de bem-estar.
Nesse ponto, a individualização novamente é importante. Uma sessão destinada principalmente ao relaxamento de uma pessoa que chega mais tensa, por exemplo, pode exigir uma abordagem diferente daquela realizada em alguém que apresenta outra percepção de calor ou procura uma experiência térmica mais suave.
A finalidade profissional não é impor uma determinada temperatura, mas encontrar uma condição térmica adequada dentro dos parâmetros seguros de utilização.
A experiência térmica proporcionada por uma manta não depende exclusivamente da temperatura indicada em seu controle.
Outros fatores também devem ser considerados, entre eles:
Existe naturalmente troca térmica entre o corpo e o ambiente. Por isso, cobertura corporal, controle de temperatura e tempo de aplicação precisam ser analisados em conjunto.
Em mantas térmicas com controle digital de temperatura, o profissional pode trabalhar com ajustes mais específicos dentro da faixa disponível no equipamento.
Nos modelos Termofit que possuem esse sistema, a temperatura pode ser selecionada de forma gradual, grau a grau, dentro da faixa de funcionamento do equipamento, permitindo maior precisão na condução da sessão.
Isso possibilita que o profissional utilize uma referência objetiva de temperatura e faça ajustes conforme a finalidade da aplicação, o conforto percebido e as condições individuais da pessoa atendida.
Essa característica deve ser compreendida como um recurso de personalização da experiência térmica, e não como indicação de que temperaturas mais elevadas sejam necessariamente mais adequadas.
Não necessariamente.
Saunas, banhos quentes, mantas térmicas e outros recursos submetem o organismo ao calor em condições diferentes.
Uma sauna cria um ambiente térmico ao redor do corpo. Uma manta térmica promove aquecimento por contato com uma determinada área corporal. Temperatura, umidade, extensão corporal aquecida e mecanismos de transferência do calor podem variar.
Essa distinção é especialmente importante ao interpretar pesquisas científicas. Estudos realizados com sauna ou imersão em água quente ajudam a compreender como o organismo responde à exposição ao calor, mas seus resultados não podem ser automaticamente atribuídos a uma manta térmica.
A exposição passiva ao calor vem sendo estudada em diferentes áreas da fisiologia humana.
Brunt e Minson (2021), em revisão publicada no Journal of Applied Physiology, discutem mecanismos relacionados à exposição terapêutica ao calor e suas respostas vasculares e cardiovasculares.
Johnson, Minson e Kellogg (2014) apresentam uma ampla revisão dos mecanismos de vasodilatação e vasoconstrição cutânea envolvidos na regulação da temperatura corporal.
No contexto da atividade física, estudos como Mero et al. (2015) e Naghilou et al. (2023) investigaram condições específicas de exposição à sauna infravermelha após exercícios e observaram resultados relacionados a determinados indicadores de recuperação e percepção corporal.
Esses estudos contribuem para compreender a fisiologia da exposição ao calor, mas devem ser interpretados de acordo com o método utilizado em cada pesquisa.
A tecnologia oferece o recurso térmico; a avaliação profissional orienta sua utilização.
Antes e durante uma sessão, é importante observar as características individuais, a finalidade do atendimento, a percepção de conforto, as orientações do fabricante e as contraindicações aplicáveis.
A temperatura e o tempo podem, assim, ser ajustados dentro dos parâmetros adequados em vez de serem utilizados de maneira automática e idêntica em todas as pessoas.
É justamente essa possibilidade de controlar e individualizar a aplicação do calor que diferencia uma utilização profissional consciente de uma simples exposição indiscriminada a altas temperaturas.
A hipertermoterapia utilizada no contexto da estética e do bem-estar não substitui diagnóstico, acompanhamento ou tratamento médico.
Brunt, V. E.; Minson, C. T. (2021). Heat therapy: mechanistic underpinnings and applications to cardiovascular health. Journal of Applied Physiology, 130(6), 1684–1704.
Johnson, J. M.; Minson, C. T.; Kellogg, D. L. Jr. (2014). Cutaneous vasodilator and vasoconstrictor mechanisms in temperature regulation. Comprehensive Physiology, 4(1), 33–89.
Mero, A.; Tornberg, J.; Mäntykoski, M.; Puurtinen, R. (2015). Effects of far-infrared sauna bathing on recovery from strength and endurance training sessions in men. SpringerPlus, 4, 321.
Naghilou, A.; Amani-Shalamzari, S.; Rajabi, H.; Rosemann, T. (2023). A post-exercise infrared sauna session improves recovery of neuromuscular performance and muscle soreness after resistance exercise training. Biology of Sport, 40(3), 681–689.
Autor: Termofit
Revisão Técnica: Leneida Xavier
Professora de Estética e Esteticista, formada desde 2002, com sólida experiência prática na área de estética e bem-estar. Atua há mais de 20 anos em atendimentos estéticos, desenvolvimento de protocolos e aplicação de técnicas corporais e faciais. Palestrante em cursos, workshops e eventos na área da estética, compartilhando conhecimento técnico e práticas profissionais voltadas à saúde, beleza e qualidade de vida.
Manta térmica Termofit para corpo inteiro ou uso localizado, com infravermelho. Tecnologia brasileira para estética profissional desde 2012.